urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado PORTUGALINEGRADO Portugalinegrado, nos confins da Europa, é um país onde coisas normais não acontecem com muita frequência. É um sítio cheio de história e, em cada canto, já aconteceu algo de sinistro e mau... LiveJournal / SAPO Blogs Miguel Correia 2020-09-19T14:01:46Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:6684 2020-09-19T15:00:00 UMA PONTE QUE NOS (DES)UNE 2020-09-19T14:01:46Z 2020-09-19T14:01:46Z <p>A vida corre devagar e os temas de conversa são invariavelmente os mesmos. Apesar da sabedoria popular, com várias ideias estapafúrdias e soluções imediatas, tudo parece ficar na mesma, sem qualquer mudança. Afinal é preciso esperar duas décadas para ver o Sporting campeão e, no mundo da moda, com tanto costureiro famoso, ocasionalmente aparecem as ceroulas do tempo dos nossos avós! A diferença entre o requinte e a parolice está na etiqueta do estilista. Contudo, continuam a ser ceroulas… A minha escrita faz parte deste ciclo e, sete anos depois, dou por mim a revisitar o tema que originou a primeira crónica humorística que escrevi: a Ponte Móvel de Matosinhos. Construída com os melhores materiais e vanguarda da engenharia, a malfadada estrutura consegue avariar mais vezes que eu a mudar a foto de perfil do Facebook! A explicação, pela entidade responsável, aponta para motivos técnicos e promete uma rigorosa investigação para apuramento das causas. Somando a falta de resposta e sucessivas avarias, será legítimo assumir que ainda investigam…</p> <p> </p> <p>Nas redes sociais – epicentro de toda a indignação deste mundo – o povo de Matosinhos desespera com a angústia de ver cortado um ponto de ligação entre duas cidades, geridas pela mesma União de Freguesias, que provocará mais caos no trânsito. Um outro tema de embirração é o facto de, quando avaria, os tabuleiros ficarem abertos, ou seja, cortando a circulação automóvel e pedonal, mas permitindo a passagem dos barcos. Isto acontece por motivos de segurança e lógica. Não será fácil arranjar um caminho alternativo para os barcos… É possível encontrar, por entre vários comentários, os que defendem a construção de um túnel, os que querem uma nova ponte e inclusive os fanáticos pelo actual executivo municipal, que fazem questão de salientar o excelente trabalho desenvolvido. Talvez sabendo que, desta vez, a avaria ocorreu antes das eleições, algo inédito na cronologia da ponte… Na minha modesta opinião – e tendo em conta as soluções apresentadas – julgo que o melhor será tentar contactar Moisés. Segundo reza a história, teve um problema idêntico no Mar Vermelho…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="068) UMA PONTE QUE NOS (DES)UNE.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4318775b/21906477_otOAs.jpeg" alt="068) UMA PONTE QUE NOS (DES)UNE.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:6304 2020-09-14T22:49:00 ENTRE SANTOS E PECADORES 2020-09-14T21:50:26Z 2020-09-19T13:50:30Z <p>As agências de viagem preparam os destaques para as férias dos mais endinheirados. O ano que começou (apesar do mês de Janeiro parecer infinito) marca uma nova tendência na oferta dos destinos. Depois da procura pelos locais de turismo exótico, histórico e mórbido surge uma nova demanda por focos de agitação local. E, como tal, os operadores turísticos querem enviar os seus clientes, com malas e bagagem, para o município mais falado na última semana: Loures! Os folhetos têm pouca informação sobre o local. Sabemos que há tradição no Carnaval e que está inserido num pequeno grupo de Câmaras Municipais que escaparam ao domínio dos rosinhas e setinhas. Graças ao jornalismo de investigação de um canal privado (agora, só menciono nomes quando começar a receber dinheiro por isso!), esta pacata localidade saltou para a ribalta! Defendendo os interesses do proletariado – e querendo contribuir para a redução do desemprego – a autarquia contratou, por ajuste directo, os serviços do genro do secretário-geral do PCP (Partido Comunista Português) por valores astronómicos. Desempregado há três anos, o funcionário sentiu-se como um vencedor da raspadinha pé-de-meia! Faz a limpeza e manutenção às paragens de autocarro e painéis de publicidade pela módica quantia de onze mil euros mensais. De acordo com a reportagem, num dos meses, o homem só conseguiu mudar oito lâmpadas e dois casquilhos. Provavelmente, por causa das condições climatéricas…</p> <p> </p> <p>Enquanto se debatia a temática dos excessivos compadrios, influências e completa falta de vergonha e pudor, já outra notícia tomava posse, fazendo esquecer a contratação do electricista. No Panamá – e sabendo que é preciso justificar o trabalho deste artista da bricolage pública – o camarada Marcelo Rebelo Sousa conseguiu trazer para Lisboa e Loures as Jornadas Mundiais da Juventude. A Igreja Católica escolheu Portugalinegrado para acolher este evento em 2022. O Papa Francisco deverá marcar presença naquele que é o maior evento juvenil católico do mundo. Os dois autarcas estão mobilizados para trabalhar na requalificação dos terrenos. Todos aguardam o milagre da multiplicação dos euros (com desvios orçamentais) e, por isso, querem começar a trabalhar para que nada falhe! O mundo (e Deus) vai estar atento e muitos agoiram um iminente fracasso! O importante é reforçar as equipas de trabalho municipais com novas contratações e alguns salários chorudos! Os familiares do camarada Jerónimo de Sousa já fazem fila…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="004) ENTRE SANTOS E PECADORES.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0e171e5f/21906473_7HAgN.jpeg" alt="004) ENTRE SANTOS E PECADORES.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:5869 2020-09-08T19:38:00 O JOGO DA POLÍTICA 2020-09-08T18:39:52Z 2020-09-19T13:50:00Z <p>Permitam-me que, num exercício de viagem no tempo, regresse a 2014. Nessa altura, consegui exibir ao público o documentário “In Matosinhos” em três freguesias diferentes do concelho de Matosinhos. No final, houve uma pequena conversa, com os presentes, acerca dos temas abordados neste trabalho de cidadania. Curiosamente, as opiniões divergiram e, em poucos dias, rotularam-me com várias ideologias políticas sem saber bem como ou porquê! Num ápice, integraram-me na direita populista e na esquerda radical porque, segundo alguns “iluminados”, pus em causa as intenções dos governantes ou tive o descaramento de afirmar que o povo tem voz e, como tal, deve fazer-se ouvir! Escapei, por pouco, à acusação de ser terrorista… Lamentavelmente, esta mentalidade redutora mantém-se. Porém, mais activa (e confusa) fruto do aumento das forças políticas. As ideologias adaptaram-se aos tempos modernos e vontade do eleitorado, cada vez mais insatisfeito com o formato actual da democracia. A ocasião facilita a chegada de vários profetas das soluções milagrosas que – dizendo aquilo que queremos ouvir – prometem resolver todos os problemas!</p> <p> </p> <p>Num registo para a posterioridade recordo que Agosto de 2020 regista um clima de ebulição política. Embora diferente de anos anteriores – graças à pandemia – temos oportunidade de ver no terreno vários dirigentes determinados em lutar, sabe-se lá porquê! O PCP (Partido Comunista Português) tem vindo a arranjar estratagemas e a encontrar lacunas nas indicações da DGS (Direcção Geral Saúde) para levar avante o seu festival de Verão, com milhares de pessoas. O CHEGA mobiliza centenas de pessoas para manifestações anti-racistas num país que, até há bem pouco tempo, era conhecido por ser pacífico e sossegado. O PSD (Partido Social Democrata), principal partido da oposição, vai preparando uma coligação com as novas vozes revoltadas que, aparentemente, culpam os indivíduos de raça negra (e os ciganos) por todo o mal que há na Terra. O PS (Partido Socialista) deixa-se estar sossegadinho e, como em qualquer manual para vencer a guerra, espera que os opositores acabem por dar um tiro na própria cabeça. O Presidente da República é o novo herói das “Marés Vivas” e, mesmo estando de férias (com as televisões por perto), faz salvamentos! Caros leitores, bem-vindos ao jogo da política…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="046) O JOGO DA POLÍTICA.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B72180d4b/21906472_njPUV.jpeg" alt="046) O JOGO DA POLÍTICA.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:5166 2020-09-06T22:40:00 O ARBUSTO DAS PATACAS 2020-09-06T21:42:42Z 2020-09-19T13:49:27Z <p>Há dias choveu. Algo que, por cá, não acontece todos os dias. Nada de especial, apenas o suficiente para retirar a camada de pó (e algumas prendas indesejadas de alguns pássaros menos obstipados) das viaturas que, por força das circunstâncias, ficam estacionadas na rua. Porém, as míseras gotículas de água foram transformadas, por alguns serviços noticiosos, num autêntico dilúvio revelador da fúria da Natureza! Fosse um filme e seria a sequela da “Arca de Noé”. Perante as câmaras de vídeo, um destes agricultores da era moderna – sem qualquer resíduo de terra nas unhas e gosto preferencial por desempenho de tarefas no tractor, ignorando que a enxada nunca matou ninguém por capotamento – fez questão de demonstrar toda a sua tristeza e frustração. Alguns minutos de pluviosidade conseguiram, segundo ele, destruir milhares de maçãs. A destruição não foi completa porque conseguiu utilizar uma rede e impedir o extermínio. Talvez um guarda-chuva fizesse mais sentido, mas confesso que de agricultura pouco percebo…</p> <p> </p> <p>O caricato, deste acto terrorífico, ficou bem patente quando o repórter de imagem resolveu alargar o plano e mostrar a propriedade. Perante os nossos olhos (de consumidores assustados com um novo aumento no preço das maçãs) foi possível observar três arbustos raquíticos, com meia dúzia de folhas. O agricultor – alheio a esta revelação mais bombástica que a saída do Messi do Barcelona – continuava as suas lamentações, num discurso bem ensaiado e eloquente, fazendo questão de insistir que apenas um subsídio conseguirá salvar o ano agrícola! Tal como os incêndios florestais, a destruição de culturas agrícolas por fenómenos meteorológicos acontece anualmente. É um flagelo sem solução à vista! A ausência de apólices de seguro é reveladora da desconfiança para com as seguradoras. Talvez porque, antes de pagar indemnizações, os peritos querem saber tudo! Irritam com tanta pergunta! Uma afronta! Até porque aquele pau com folhas, autêntico arbusto premiado das patacas, tem dado tantas alegrias! Enquanto isso, os nossos vizinhos preparam as suas furgonetas para colocar os seus frutos cá. Porque, aparentemente, em Espanha não chove…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="064) O ARBUSTO DAS PATACAS.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9c1820ee/21906471_8Hp1y.jpeg" alt="064) O ARBUSTO DAS PATACAS.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:4838 2020-09-03T11:52:00 PENSAMENTOS SEM CHUMBO 2020-09-03T10:54:52Z 2020-09-19T13:48:51Z <p>Dou por mim, agarrado à pistola de abastecimento de combustível, a pensar que uma boa parte do salário miserável recebido desaparece sob a forma líquida. Considero tal gesto como um investimento para garantir, mais um mês, de deslocações para o trabalho com o objectivo de voltar a receber alguns trocos. Um ciclo vicioso que ataca centenas de condutores que, independentemente do estatuto social, visitam regularmente as estações de serviço. E, nesta crónica, prometo não implicar com os oportunistas que aproveitam a torneira da água para dar banho completo ao carro ou os que, num acto de rebeldia, resolvem fumar ao lado das botijas de gás. Algo que deveria ser premiado pela comunidade Nobel! Para aliviar o sofrimento provocado pela crueldade dos números (muitos euros, poucos litros) vou apreciando o panorama que me rodeia… Estacionado na bomba 2 está um monovolume. O condutor luta com todas as forças para conseguir fechar a porta da bagageira por causa de tanta tralha acumulada. No interior três crianças e uma mulher mal-arranjada que, num gesto de apoio e solidariedade, deixaram-no sozinho! Com aspecto cansado – talvez pelos gritos, cânticos ou poucas horas de sono – tenta cumprir mais uma tarefa imprescindível para o bom ambiente familiar. Pelas características da viatura (admitam, um monovolume é basicamente um ovo com rodas!), ou pelo rumo financeiro que a vida de casado implica, é notória a tristeza nos olhos daquele homem.</p> <p> </p> <p>Num ápice, as atenções voltam-se para o rugido de motor da viatura que estacionou na bomba 4: um bólide desportivo, apenas com dois lugares, desenhado por alguém que não tem por hábito ir às compras. No interior uma mulher bem arranjada, estilo modelo das melhores passerelles. O centro das atenções: seja por ela ou pelo carro. A representação mais pura da vida de solteiro! Sem preocupações ou gritos incessantes da petizada. Escusado será dizer que o condutor do monovolume olhou para a tentação do bólide, mas não foi retribuído… Duas realidades distintas, observadas neste pequeno epicentro petrolífero, que marcam as diferenças da sociedade de Portugalinegrado. Contudo, tal como acontece com a morte, a mudança de realidade ocorre sem aviso prévio e os que deixaram o mundo dos “solteiros”, têm por hábito (mais cedo ou mais tarde) ter saudades do que deixaram para trás. Porém, depois da escolha feita, perde-se o ponto de retorno. É importante saber lidar com a decisão tomada e resistir à tentação permanente! Por esta altura, o meu abastecimento ficou concluído e sei que não me deixam terminar esta crónica sem que vos indique a que mundo pertenço. Caros leitores, tenho de admitir que olhei para o “maquinão” da bomba 4. O carro, claro...</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="060) PENSAMENTOS SEM CHUMBO.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f17d767/21906470_tpR31.jpeg" alt="060) PENSAMENTOS SEM CHUMBO.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:4351 2020-08-09T21:35:00 A INTELIGÊNCIA QUE JULGÁMOS TER 2020-08-09T20:42:21Z 2020-09-19T13:48:13Z <p>Muitos descobriram, graças ao acidente ferroviário de Soure, que os comboios estão equipados com sistemas de segurança e, mesmo assim, registam-se falhas humanas. Os serviços noticiosos recorreram à sabedoria de alguns especialistas que, com calma e paciência, conseguiram elucidar os que sempre afirmaram que, para conduzir um veículo ferroviário, basta empurrar uma alavanca para trás e para a frente. Afinal existem normas e procedimentos que devem ser cumpridos à risca. O mesmo se passa com a sinistralidade automóvel: há condutores que ignoram (ou desconhecem) o código e principalmente a viatura que conduzem. Mais cedo ou mais tarde, a história acaba num cemitério, com muita gente vestida de preto. Enquanto escrevo esta crónica recebo indicação de outro acidente: uma carrinha de mercadorias foi colhida por um comboio depois de ignorar a sinalização da passagem de nível. Todas as acções de sensibilização são insuficientes para combater o flagelo da pressa e puro facilitismo. O complexo de superioridade (só acontece aos outros) é algo que está enraizado na nossa sociedade e, sinceramente, tanto me entristece…</p> <p> </p> <p>Voltando ao tema da ferrovia – até porque, pela minha experiência, acho que percebo alguma coisa – preocupa-me o aumento do número de passageiros que, pura e simplesmente, não se esforça para perceber as regras do transporte que utilizam diariamente. O exemplo dos aviões: só quando estiver a cair é que vão pegar no folheto para saber o que fazer…. Ao passageiro apenas se exige que saiba comprar bilhete e, mesmo assim, alguns fazem questão de não aprender! É o fenómeno da nova corrente social dos pobrezinhos: não se pode corrigir ou chamar a atenção sob pena de levar uma bela reclamação! Resta a sapiência das redes sociais. É lá que se dissipam dúvidas (erradamente, escusado será dizer). Principalmente, quando os esclarecimentos são dados por indivíduos que pouco ou nada percebem, mas fazem questão de enganar os outros. Demasiada liberdade de expressão aliada a um grau de ignorância fortuito leva-me a admitir que, afinal, não temos a inteligência que julgámos ter…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="057) A INTELIGÊNCIA QUE JULGÁMOS TER.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc917c5c2/21906469_Oy8FK.jpeg" alt="057) A INTELIGÊNCIA QUE JULGÁMOS TER.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:4038 2020-07-20T22:56:00 METAMORFOSE AO VOLANTE 2020-07-20T21:59:13Z 2020-09-19T13:47:34Z <p>Os cientistas e engenheiros passaram décadas a desenvolver tecnologias de segurança acessíveis às massas. Mas aparece sempre um engraçadinho que aproveita todo esse esforço para um propósito diferente. Se não acreditam em mim, consultem as estatísticas sobre a sinistralidade rodoviária dos (brilhantes) condutores de Portugalinegrado. Qualquer pessoa, que se preze, amaldiçoa o dia em que inscreve o filho(a) numa Escola da Condução. Dinheiro deitado fora porque, basicamente, a malta quer a habilitação e está-se nas tintas para o Código da Estrada! O apelo pelas máquinas devoradoras de combustível é extremamente forte e, em breve, surgirá a metamorfose ao volante! Tal como os lobisomens em noite de lua cheia, estes novos condutores (maçaricos) vão adquirir péssimos hábitos esquecendo civismo e preocupação pela vida humana. Fenómeno agravado pela irreverência da tenra idade e excessivas facilidades no crédito bancário, que permitem adquirir viaturas com demasiados cavalos para alimentar…</p> <p> </p> <p>Numa pesquisa efectuada – para tentar perceber quando começou este acto irreflectido de guerra civil na estrada – deparei-me com uma descoberta que salienta a importância das mulheres na história do automóvel. Em 1902, Mary Anderson inventou o limpa pára-brisas e em 1913, Florence Lawrence inventou o sinal de mudança de direcção: o vulgar pisca. Provavelmente, estas invenções passaram despercebidas à maioria dos ases do volante – alguns pensam que o automóvel foi inventado tal como está – e não consigo compreender que, um século depois, a ignorância ainda se manifeste: é comum ver pára-brisas com vestígios de mosquitos esparramados em 2005! Porque a água, disponibilizada nas estações de serviço, serve para lavar o carro gratuitamente e não para encher o reservatório! O pisca é outra invenção inútil porque poucos o utilizam! Talvez seja resultado da política de protecção de dados: ninguém precisa saber quando se vira! Há uma outra possibilidade (mais rebuscada) que pode explicar a ausência dos piscas: um terrível acto de ladroagem, que ataca viaturas para roubar as lâmpadas. E, pelo que se pode constatar, há demasiadas vítimas…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="048) METAMORFOSE AO VOLANTE.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7e1776d3/21906468_OQ81d.jpeg" alt="048) METAMORFOSE AO VOLANTE.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:3668 2020-07-13T12:23:00 UM BOM SAMARITANO 2020-07-13T11:23:44Z 2020-09-19T13:46:56Z <p>As repórteres do serviço local noticioso – entenda-se as alcoviteiras do bairro – fizeram espalhar a notícia do infortúnio do camarada Alves. Figura típica local, já de idade avançada, que sofreu um ataque cardíaco fulminante. O pobre e envelhecido coração, apesar dos tremeliques, aguentou o impacto: o corpo sofreu apenas algumas mazelas ao nível da locomoção e fala. Cresci com a vitalidade deste indivíduo que agora se arrasta, esquecido e abandonado, numa casa demasiado grande. Os vizinhos comentam a crueldade dos familiares que nunca apareceram. Talvez um extracto bancário recheado conseguisse reacender os laços familiares… Senti que algo tinha de ser feito por este amigo de longa data e considerando a minha agenda ocupada – que envolve ressonar como um desalmado – arranjei tempo para retirar o velhote de casa. A falha do coração causou-lhe uma pequena paralisia na perna esquerda e, para além de mancar, anda mais devagar que o normal.</p> <p> </p> <p>Porém, com bastante calma temos conseguido cumprir os objectivos! Num gesto de bom samaritano levei-o à Repartição de Finanças. Apesar da longa fila – com caras nada amistosas e muito impacientes – fomos atendidos de imediato e consegui resolver o meu problema. Ontem, aconteceu o mesmo no Centro de Saúde. Por entre um aglomerado de pessoas com nariz entupido e aspecto febril, nem tivemos de esperar! Na próxima semana tenho de passar nos Correios e já está tudo marcado para não ir sozinho! E ainda me acusam de ser oportunista por me fazer acompanhar por um idoso só para ter prioridade! Por vezes penso como seria se, neste país, houvesse menos intolerância e preconceito…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="001) UM BOM SAMARITANO.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6317abd7/21906467_g10ZP.jpeg" alt="001) UM BOM SAMARITANO.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:3350 2020-07-11T17:25:00 UMA SOCIEDADE (BEM) CASMURRA 2020-07-11T16:27:18Z 2020-09-19T13:46:24Z <p>Demorei mais tempo que o habitual para escrever esta crónica. Não que tenha necessidade de me justificar – até porque não sou concorrente do “Big Brother” – porém admito que se torna quase impossível conseguir pressionar as teclas do computador, quando tenho os dedos queimados com tanta solução alcoólica aplicada! Por estes dias as práticas de higiene estão em modo histérico e inclusive existem relatos preocupantes de ácaros e outros pequenos rastejantes que assistiram ao extermínio dos seus familiares. Sei que estar constantemente a abordar o tema do “Covid-19” parece um contra-senso: a malta anda bem mais limpinha, mas tem saudades de um passado bem mais javardo. Estou solidário com todos os que sofrem de mau hálito e usam máscara facial durante horas a fio: protege quem está em redor, é certo, mas é desumano para o próprio! A nossa sociedade tem passado por um processo de aprendizagem nunca antes visto. Isto não significa que tenham aprendido alguma coisa, mas as regras estão lá! O mesmo fenómeno do Código da Estrada: os que possuem a habilitação para conduzir fartam-se de ignorar as regras básicas e, pasmem-se, ainda conseguem insultar os poucos que insistem em cumprir o que aprenderam! Talvez por causa deste elevado grau de “chico-espertismo”, todos os anos, o número de mortes na estrada aumenta e a culpa é sempre dos outros…</p> <p> </p> <p>Actualmente, tudo se rege por condicionamentos e novas normas de convivência. Nas praias ou nos centros comerciais (shopping’s) existem regras de circulação para prevenção da propagação do vírus. E – mérito seja dado pelo esforço – houve malta, de rabo para o ar, a colocar no soalho setinhas, marquinhas e pezinhos para controlar o fluxo dos clientes. Queria tanto escrever que a mensagem passou e que as pessoas perceberam a simbologia colada aos seus pés, mas não posso! A consciência deste nobre povo – que outrora descobriu novos mundos – deve estar perdida numa qualquer gaveta empoeirada e posso afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que é um orgulho verificar que a maioria não distingue o puxe do empurre e insistem em entrar pela saída! Atrevo-me a ir mais longe para afirmar que os seguranças nas lojas já não se preocupam com a gatunagem: passam maior parte do turno a educar as pessoas que, por negligência ou rebeldia, tentam ludibriar as regras! A mesma atitude rebelde que se verifica nas máscaras de protecção facial. A malta – tal como aconteceu com o açambarcamento do papel higiénico – agora julga que o vírus ataca os queixos! É normal e corriqueiro ver que a maior parte das gentes de Portugalinegrado tem a máscara arrumadinha na zona do queixo e pescoço, quando deveria estar a tapar o nariz e boca! Mais uma vez a massiva dose de civismo impele a maioria a distorcer os propósitos de uma simples indicação! Vou arriscar tudo e deixar um pequeno alerta: cuidado com o uso dos preservativos! Porque, tal como as máscaras, de nada servem se não forem colocados no sítio certo…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="053) UMA SOCIEDADE (BEM) CASMURRA.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9a18cace/21906466_9Laim.jpeg" alt="053) UMA SOCIEDADE (BEM) CASMURRA.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:3161 2020-07-09T20:16:00 O REGRESSO DO FAMALICÃO 2020-07-09T19:17:43Z 2020-09-19T13:45:51Z <p>A época de futebol 2018/19 terminou no mês de Maio. Foi nesta altura que os santos receberam mais pedidos de intervenção, seja para vencer o campeonato ou para evitar a descida de divisão. Como a divindade não consegue agradar a todos, alguns adeptos ficaram desapontados e mudaram de religião. Porque a culpa é dos outros, nunca dos jogadores! Como adepto de futebol (não podia ser de outra forma!) e apreciador da zona norte de Portugalinegrado congratulo-me com a subida, à primeira divisão, do Gil Vicente, Paços de Ferreira e Famalicão. Uma palavra de solidariedade para o Feirense e desejo que, em breve, possa estar junto da elite do campeonato nacional de futebol. Os diversos serviços informativos deram especial destaque ao Famalicão. Clube que está afastado das luzes da ribalta desde 1994: um quarto de século! Os mais acérrimos fanáticos deste desporto recordam que foi um campeonato vencido pelo Benfica e que teve um início atribulado, com muita polémica e manchetes de jornal, quando os jogadores Paulo Sousa e Pacheco resolveram abandonar as águias e (atravessar a rua) para assinar pelo rival Sporting. Para a história do campeonato – e dos clubes – fica o dia 12 de Março…</p> <p> </p> <p>O Famalicão deslocou-se ao Estádio da Luz e, perante uma assistência de 20.000 pessoas, sofreu uma derrota pesada: 8-0. Contudo, desse jogo imergiu um herói improvável que imortalizou o seu nome na história do futebol: o camarada Celestino da Silva. Tenham em mente que qualquer reputação – conquistada arduamente durante anos – pode ser destruída em poucos segundos graças a um lapso momentâneo. E será algo que nos persegue até ao final dos dias. Por exemplo, Roberto Baggio falhou um penalty que custou um campeonato do mundo à Itália; Zinedine Zidane agrediu à cabeçada outro jogador e, no dia em questão, o defesa central famalicense marcou dois golos no Estádio da Luz, mas… na própria baliza! Nesse ano jogou apenas três vezes. A sua prestação, ainda hoje, é recordada e ficou perpetuada na memória de quem esteve presente ou assistiu através da transmissão televisiva. Certamente, nos dias de hoje, teria visto o seu nome associado a um acto de corrupção para enriquecer a sua conta bancária. Os nervos estão à flor da pele e um dia mais azarado é confundido com falta de escrúpulos e dinheiro. Os anos passaram e desligou-se da actividade futebolística. Hoje, quando recorda o passado e o seu legado, ri-se disto tudo. É esse o espírito, carago!</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="011) O REGRESSO DO FAMALICÃO.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be8175308/21906464_Qyk6h.jpeg" alt="011) O REGRESSO DO FAMALICÃO.jpg" width="960" height="639" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:3012 2020-07-04T22:47:00 RECORDAR SALAZAR... 2020-07-04T21:47:55Z 2020-09-19T13:45:24Z <p>E assim, vindas do nada, duas singelas palavras chamam a atenção de alguns leitores mais antigos que, tendo vivido os dias do Estado Novo, estão neste momento a esmiuçar esta crónica à procura de um qualquer motivo para exorcizar fantasmas do passado e, claro, desancar no autor… É certo que, sendo “filho da liberdade”, não pretendo dar aulas de história ou sequer escrever a biografia do homem. Contudo – e sabendo que a moda é cíclica – não posso deixar de mencionar que ainda há, por aí, vestígios deste período mais obscuro do nosso passado. Há bem pouco tempo – e por alguma necessidade – consultei a página de uma imobiliária, à procura de uma oportunidade de negócio e cheguei à conclusão que existem bons preços em casas construídas em plena década de 60! É claro que não têm elevador e pelas fotos (curioso como a qualidade das fotos está relacionada com o preço) quase que posso jurar que existe um cruxifixo e o retrato do camarada Salazar no hall de entrada de todas fracções do prédio. Porque certas coisas nunca mudam…</p> <p> </p> <p>A geração que anda a estudar – para assegurar o nosso futuro – viu o programa curricular interrompido por uma pandemia. Algo que não aconteceria naquele tempo: trancavam os infectados no Tarrafal. Para colmatar as dificuldades recorreu-se à tecnologia informática, actualizando um formato antigo datado de 1965: a Telescola. E, curiosamente escolheram a RTP Memória para emitir os novos episódios de um programa que bateu audiências! Até porque, os alunos eram (mesmo) obrigados a assistir… Apesar de criticar o conceito não quero, de maneira nenhuma, retirar créditos ao esforço dos vários professores envolvidos! Foram verdadeiros heróis: os actuais e os da época do preto e branco. Poderia continuar e mencionar outros pontos de comparação entre as duas épocas, mas certamente os leitores mais irrequietos já encontraram motivos para fazer sobressair a minha insolência e, enquanto isso, desespero com as sucessivas tentativas para aceder ao portal das matrículas escolares. Este ano em regime de “faça você mesmo”, com a terrível certeza que, durante os primeiros dias, estará em manutenção…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 958px; padding: 10px 10px;" title="042) RECORDAR SALAZAR....jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfb18a254/21906463_QrYwC.jpeg" alt="042) RECORDAR SALAZAR....jpg" width="958" height="638" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:2653 2020-07-02T19:49:00 NOSSO SENHOR DE CAIXA ABERTA 2020-07-02T18:50:47Z 2020-09-19T13:44:48Z <p>Os católicos devotos – sejam os mais assíduos ou aqueles que só recorrem ao Divino em alturas de aperto – reconhecem a importância (e simbologia) do número quarenta para a fé cristã. Jesus Cristo, antes de iniciar a sua vida pública, retirou-se no deserto por quarenta dias e noites sem comer. Como se não bastasse, ainda teve de aturar o Mafarrico e suas falsas promessas. O equivalente aos políticos da era moderna! Curiosamente, nos dias que correm, um vírus de origem malévola remeteu-nos, católicos ou não, a um regime de confinamento e solidão domiciliária durante pouco mais de quarenta dias. Ao contrário do episódio bíblico, seguramente ninguém fez jejum, mas verificou-se uma total dependência de programas televisivos e redes sociais demoníacas! A situação agravou-se quando, para respeitar o isolamento, o Governo decidiu encerrar as igrejas… Mas a resiliência e perseverança da Igreja é sobejamente conhecida e, mesmo de portas fechadas, encontrou forma de mostrar que está activa…</p> <p> </p> <p>Aceitaram a adesão massiva às redes sociais e programas televisivos (basicamente, venderam a alma ao Diabo) sem esquecer, de igual modo, as visitas regulares aos fiéis devotos. Os mesmos que, outrora, eram excomungados na Missa de Domingo porque ficaram, em casa, a ressonar! A fé move-se por caminhos misteriosos e, com o aproximar da Páscoa, foi preciso reforçar a crença aos pobres de espírito que cumprem os dias em prisão domiciliária. Uma carrinha de caixa aberta foi a solução encontrada pelos senhores de batina que, munidos do tradicional crucifixo e megafone, aceitaram o desafio de espalhar a palavra pelas aldeias, tendo sempre em atenção os arranques e travagens mais bruscas de quem conduz a carripana: não vá Nosso Senhor arrancar e o padre cair de costas! As televisões foram convocadas para dar testemunho destas visitas pascais inéditas e, nas redes sociais, as partilhas ajudaram a espalhar a boa nova. A prova de vida que a Igreja procurava desesperadamente! Porque, nesta luta do Bem contra o Mal, é imperativo aproveitar todos os meios para divulgar e partilhar estes gestos sagrados. Para trás fica a importância dos profetas que, naquele tempo, limitaram-se e escrever o que podiam numas folhas de papel, a que chamaram evangelho…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="023) NOSSO SENHOR DE CAIXA ABERTA.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfc172586/21906462_oy7l6.jpeg" alt="023) NOSSO SENHOR DE CAIXA ABERTA.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:2313 2020-06-03T18:07:00 É PRECISO VER, VER! 2020-06-03T17:08:55Z 2020-09-19T13:44:07Z <p>Qualquer habitante de Portugalinegrado que se preze não renega a influência do futebol na sua educação. Até porque, em muitos casos, a preferência clubística foi imposta desde o berço: aprenderam a pronunciar o nome de um dos três grandes mesmo antes de conseguirem dizer mamã ou papá. Não tendo escolas de futebol, a minha geração teve como objectivo integrar o plantel da equipa local e, mesmo que tivesse dois pés de chumbo (claramente, eu!), não se livrava de comparecer no dia das captações onde um indivíduo – sem qualquer competência técnica – avaliava o talento escondido de cada um. Não serve, mas volta para o ano! Curiosamente – apesar da ignorância das leis de jogo – reinava a felicidade e mesmo a discussão sobre o critério da escolha dos futuros craques decorria sem grandes polémicas. Já perceberam que a minha carreira de jogador foi nula! Como espectador recordo os jogos do campeonato distrital que decorriam em recintos pelados (sem relvado) e, por vezes, com as linhas bastante tortas. A cal era colocada à mão ou num carrinho empurrado por uma pessoa, no dia de jogo, depois de almoço (por isso a dificuldade em marcar linhas rectas). Sem qualquer tecnologia disponível (nem mesmo um placard electrónico para resultado e tempo de jogo) as decisões da partida eram da exclusiva responsabilidade do árbitro – em regime de part-time para ganhar mais uns trocos – e tendo em atenção os adeptos da casa: qualquer marcação de falta ou reclamação garantia porrada! Fosse pelo resultado, pela descarga de adrenalina ou apenas pelas bifanas ao intervalo, os adeptos defendiam cegamente o clube local!</p> <p> </p> <p>O futebol profissional alimenta-se do mesmo espírito. A diferença está na quantidade de pessoas a gravitar em torno dos clubes e organismos que, em nome da verdade desportiva, fartam-se de fazer asneiras... O sistema de vídeo-árbitro (VAR) foi instalado no campeonato nacional. Poucas ligas europeias aderiram a esta moda, o que nos torna pioneiros! Acreditem, até tenho medo de ouvir isto! Seguindo uma espécie de protocolo rudimentar temos vindo a aperfeiçoar (à nossa maneira) um sistema discutível que pretende acabar… com as discussões! Para já, conseguiu destruir a emoção do momento em que a bola beija a rede! Golo! Os adeptos gritam com euforia! Enquanto isso, o árbitro pede esclarecimentos deixando as celebrações em suspenso e durante vários minutos. Quando (finalmente) valida a decisão, os adeptos não têm qualquer vontade de festejar! Siga o jogo… Os últimos jogos do campeonato nacional são a mais recente trapalhada a juntar à nossa triste cronologia. Demasiada polémica (nervos à flor da pele) com o mesmo protagonista: o VAR! (fosse no campeonato distrital e, ao pontapé e estalo, tudo estaria resolvido!). Discutem-se os lances mal ajuizados, presidentes e treinadores (derrotados) exigem mudanças imediatas e profundas, os jornais desportivos desforram-se com notícias falsas, manchetes sensacionalistas e lucros fenomenais! Deixo um conselho, ó fanáticos da bola, aproveitem as bifanas durante o intervalo! Ainda é a parte mais saborosa do futebol…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="003) É PRECISO VER, VER!.JPG" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2e178b6f/21906461_F9OBH.jpeg" alt="003) É PRECISO VER, VER!.JPG" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:2009 2020-05-20T19:59:00 PROPAGANDA À MESA 2020-05-20T19:00:38Z 2020-09-19T13:43:33Z <p>Qualquer cidadão – habitual consumidor dos serviços (pouco) informativos dos canais televisivos de Portugalinegrado – pode, e deve, ficar com uma certa curiosidade pela constante menção à cidade de Matosinhos. Será legítimo afirmar que, em motivos de histórias e acontecimentos, consegue bater aos pontos o Porto, a capital do Norte. A publicidade é benéfica para as pretensões do poder político local, que aposta fortemente na vertente turística com diversas acções de divulgação para “inglês ver”. Contudo, nem todas as notícias são favoráveis e, como tal, é de realçar todo um investimento (seja nas redes sociais ou através dos órgãos de comunicação social mais carenciados) na promoção da imagem do concelho. Por vezes, no calor do momento perde-se a noção da realidade, levando o esforço promocional um bocadinho longe demais…</p> <p> </p> <p>Durante várias semanas, fruto das medidas restritivas do Covid-19, os restaurantes funcionaram em regime de take-away. Muitos ilustres perderam, neste período, a mística dos encontros imediatos de terceiro grau com outros da mesma espécie. Não há glamour ou opulência quando se come em casa! A restrição terminou e, tal como os presidiários que regressam à liberdade, muitos voltaram a por os pés debaixo da mesa de um qualquer restaurante. Matosinhos, confirmando o teor desta crónica, foi notícia de destaque em todos os canais televisivos generalistas. Por razões que desconheço, foi escolhido um espaço gastronómico, no qual a maior parte dos trabalhadores por conta de outrem apenas consegue pagar as entradas e, com sorte, o café. Os diversos jornalistas fizeram os respectivos directos, alternado à vez na mesma sala, enquanto membros do executivo camarário e outros ilustres gozavam a sua hora de almoço. E claro, já que lá estavam seria rude não dar umas palavrinhas. Tudo isto num maravilhoso clima teatral de espanto e surpresa com tantos ilustres que decidiram (misteriosamente) almoçar no mesmo restaurante e, por consequência, com tantos repórteres televisivos que estavam lá para eles. E assim, com gente bestial, se promove e cultiva o estatuto e a imagem…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="044) PROPAGANDA À MESA.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4217efe9/21906460_bbpfb.jpeg" alt="044) PROPAGANDA À MESA.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:1621 2020-05-14T20:43:00 A MORTE DO CROWDFUNDING 2020-05-14T19:44:29Z 2020-09-19T13:42:59Z <p>Corria o ano de 2014 quando descobri este enorme palavrão estrangeiro. Na altura o conhecido camarada humorista Nuno Markl tentava obter financiamento para um filme que se propunha realizar. Um terrível choque com a verdade deste país e da maneira como se encara a cultura: as pessoas aceitam os preços pornográficos dos jogos de futebol e respectivo merchandising, mas recusam pagar dez euros por um livro, filme ou álbum musical. Os grupos editoriais funcionam como clubes privados, para os mesmos, os do costume. Como tinha a pretensão de publicar o meu primeiro livro, a palavra crowdfunding pareceu uma boa solução. Segui as pisadas do humorista, aprendi o conceito e respectivas regras de funcionamento: tem de haver um projecto e valor pretendido. Depois é apresentar a ideia ao maior número de pessoas para que possam participar e ajudar a conseguir o valor indicado. Caso a angariação falhe, o dinheiro é devolvido. Caso haja sucesso, o projecto torna-se realidade e há recompensas pelo autor. Nem que seja uma lista com os nomes dos que contribuíram. Tudo é feito com seriedade para combater a ideia de conto do vigário e embuste. Porque em Portugalinegrado a desconfiança espreita em cada esquina! Recorri por duas vezes ao crowdfunding e consegui publicar os livros das “Crónicas dos Tugas” (disponíveis por encomenda nas livrarias). Senti que, nos últimos anos, houve uma ligeira mudança das mentalidades em relação ao conceito de apoiar algo que ainda não existe. Mas o período de vida deste movimento foi curto…</p> <p> </p> <p>Os enfermeiros resolveram iniciar uma luta titânica contra o governo para melhorar as suas condições de trabalho e carreiras remuneratórias. Independentemente das razões, motivações e demais motivos para lutar, esqueceram que, neste país, o salário é atribuído conforme os dias de trabalho – excepto ministros, presidentes e outras figuras que, fruto das grandes cunhas e compadrios conseguem obter tamanhas regalias. Recorreram a uma acção de peditório e caça ao donativo junto das pessoas para obter apoio financeiro. Se fosse apoio em géneros alimentares não valia a pena o incómodo! Erradamente apelidaram esta acção – similar a outras instituições que solicitam ajuda nas ruas e hipermercados – de crowdfunding. E assim, a comunidade (que começa a torcer o nariz às reivindicações dos senhores de bata branca que cheiram a éter) voltou a desconfiar das intenções dos autores que precisam do financiamento particular para as suas obras. Somos farinha do mesmo saco. O crowdfunding morreu! A culpa é dos enfermeiros. E da ignorância…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="008) A MORTE DO CROWDFUNDING.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba3176ecd/21906459_O8NK5.jpeg" alt="008) A MORTE DO CROWDFUNDING.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:1460 2020-05-06T22:27:00 O DESPERTAR DA FORÇA VERMELHA 2020-05-06T21:28:35Z 2020-09-19T13:42:28Z <p>Há trinta e quatro anos, os habitantes do burgo celebraram o décimo segundo aniversário do dia em que, graças a umas flores vermelhas, conquistaram o direito à liberdade perante um ditador já falecido. Infelizmente, o regime vermelho tinha ainda alguns países sob a sua alçada e nada faria prever que, no dia seguinte, no outro lado do mundo, uma cidade iria ficar eternamente gravada na nossa memória personificando o que há de pior na raça humana: a estupidez, o compadrio e o poder. Chernobyl, tal como o Holocausto, é algo que nunca deve ser esquecido. Porém – e apesar das convicções permanecerem inalteráveis – os tempos mudam e as formas de actuar também. Sabemos que a força do regime comunista não deve ser menosprezada. Mesmo que a consideremos extinta consegue encontrar forma de voltar ao activo, tal como as ervas daninhas. A humanidade enfrenta, em 2020, um novo inimigo que não pode ser combatido com a força bélica. Para sobreviver a este surto pandémico invisível é necessário enfrentar a solidão e isolamento. Um sofrimento mais forte, marcante e duradouro que o impacto de uma bala…</p> <p> </p> <p>É sabido que este vírus teve o seu epicentro na China. Apesar de toda a sua tecnologia e sofisticação recorre a regras rígidas no que se refere à população. Talvez por isso tenham de incluir morcegos, cães e outros bichos esquisitos na sua alimentação. Contudo, é legítimo questionar a razão do aparecimento recente deste vírus, quando sabemos que os hábitos alimentares peculiares chineses não são recentes. Há quem defenda que se trata de uma nova forma de conflito para destruir a economia mundial, principalmente a de Ocidente. Altos responsáveis, que divulgaram algumas verdades sobre o vírus, morreram subitamente ou desapareceram. A verdade tem um preço e, por vezes, demasiado alto! O regime vermelho controla a informação e, tal como aconteceu na central nuclear, recusa assumir culpas. O mundo como o conhecemos mudou! A política é (agora) a única força motriz e apenas tem olhos para a economia. A Igreja Católica – cuja importância na história é reconhecida – está desamparada, sem fiéis e de portas fechadas. Recorre a estratagemas e figuras mais ridículas para estar perto dos devotos. Os mesmos que, até há bem pouco tempo, eram desconjurados se não aparecessem nas missas…</p> <p> </p> <p>Numa visão apocalíptica – aceito que o digam – olho para o excessivo papel do Estado e assusto-me. Receio que estejamos à beira do despertar da força vermelha, numa espécie de profecia bíblica: “Porque às vezes, cedemos perante o medo. O Estado diz-nos que a situação não é perigosa. Tenham fé, camaradas. É verdade, quando o povo vir a polícia terá medo. Mas, quando o povo faz perguntas que não são do seu melhor interesse, devemos dizer-lhes apenas que pensem no seu trabalho, e que deixem os assuntos de Estado para o Estado. É assim que se impede que o povo estrague os frutos do seu trabalho. Seremos recompensados pelo que vamos fazer aqui!”. Este foi o discurso comunista horas depois do desastre nuclear. O mesmo que, ainda hoje, oculta o real número de mortes e, apesar da evolução dos tempos, mantém-se obtuso e inabalável, à espera da oportunidade para brilhar. Saibamos nós lidar com esta ameaça…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="034) O DESPERTAR DA FORÇA VERMELHA.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6017d162/21906457_D2FEQ.jpeg" alt="034) O DESPERTAR DA FORÇA VERMELHA.jpg" width="960" height="641" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:1051 2020-05-04T20:22:00 NÃO HÁ AVIÕES NO CÉU 2020-05-04T19:23:47Z 2020-09-19T13:41:56Z <p>A viagem de metro até ao aeroporto, por estes dias, é o equivalente à deslocação para um retiro espiritual ou, para os que não apreciam a religião, uma visita a uma cidade deserta com semelhanças a Chernobyl. Fruto da crise pandémica, a realidade quotidiana mudou drasticamente. O céu está completamente azul – excepto nos dias mais encobertos – e não há filas de aviões a rasgar as nuvens ou a deixar órfãs algumas gaivotas. Começo a pensar que estou naquele filme (que raramente passa na televisão) do puto que ficou sozinho em casa. Um silêncio que transtorna. Um cenário desolador. A entrada principal, outrora apinhada de malas com pessoas, está encerrada. Até o polícia de serviço sente saudades dos condutores mais habilidosos que estacionavam à socapa para poupar algumas moedas. Os brincalhões dos drones – que agora têm disponibilidade – perderam a vontade de invadir o espaço aéreo…</p> <p> </p> <p>As máquinas de bilhetes – agora desligadas – recordam um passado recente, no qual as filas intermináveis contrastavam entre a impaciência de quem espera e o desespero daqueles que descobriram ter feito asneira ao comprar, num único cartão, viagens para todos os elementos da família… Na estação, o veículo (composição com as portas abertas) sente a ausência da azáfama e dos rabos, de vários tamanhos, que ocupavam todo o espaço disponível atrofiando os corredores. Não há gargalhadas ou conversas em dialectos estranhos. Ninguém faz (constantemente) a pergunta sobre a passagem na estação da Trindade, apesar de estar escrito nos painéis. E, com um notório esforço, porque a maior parte não consegue pronunciar correctamente o nome da estação… Por força das medidas tomadas, os aviões ficam em terra e os turistas são, neste momento, uma espécie em vias de extinção. Porém, há aspectos positivos desta nova realidade. E, sem pensar duas vezes, refiro-me às casas-de-banho públicas. Antes que as vossas mentes ordinárias vos levem para terrenos menos próprios, trata-se única e simplesmente de destacar o actual estado de limpeza imaculado. Porque, para muitos visitantes, chegar ao nosso país era um grande alívio…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="045) NÃO HÁ AVIÕES NO CÉU.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1117a5ac/21906455_MSQ05.jpeg" alt="045) NÃO HÁ AVIÕES NO CÉU.jpg" width="960" height="640" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:780 2020-04-25T21:42:00 CRAVOS MURCHOS 2020-04-25T20:43:08Z 2020-09-19T13:41:22Z <p>Durante algum tempo os socialistas acolheram a rosa como símbolo do partido. Usaram, de igual modo, a música instrumental “hollywoodesca” de Vangelis como banda-sonora triunfal nas campanhas, se bem que isso, para esta crónica pouco ou nada importa. Os que estão a ler este parágrafo devem reter que a malta responsável, por este refrescar da imagem socialista, rapidamente se apercebeu que as flores têm um curto espaço de vida e acabam por perder todo o seu brilho, perfume e beleza. Infelizmente, o pessoal que viveu intensamente a Revolução de Abril não chegou a essa conclusão e, ainda hoje, se agarram aos cravos vermelhos na esperança dos ideais de liberdade que nunca chegaram a acontecer! Mas que, graças a um dia de feriado, continuam a valer a pena! O resultado mais visível do nosso pseudo golpe de estado é a completa falência de quase todos os serviços tutelados pelo Estado, que se agoniza com os sucessivos governos. Caros leitores, pasmem-se porque o panorama agrava-se quando resolvem impor medidas estruturais correctivas…</p> <p> </p> <p>A senhora com a venda nos olhos (não confundir com “As Cinquenta Sombras”) mostra que a justiça, apesar de conceito abstracto, deve ser razoável e imparcial entre interesses, riquezas e oportunidades. Coisa linda, a teoria… Na realidade podemos assumir que ela tem uma venda porque é cega ou não quer ver aquilo que se passa! Acreditando na beleza do conceito de igualdade, os procuradores titulares da investigação ao roubo de Tancos (ainda continuam a dizer que foi um assalto!) quiseram chamar o Presidente da República e o Primeiro-ministro para serem ouvidos na qualidade de testemunhas. Esqueceram completamente que, mesmo actuando em nome da justiça, ainda existe um chefe e quem manda é ele! O camarada Albano Pinto resolveu proibir tal façanha, tendo em conta a inutilidade da diligência e dignidade dos senhores mais importantes deste país. Para protagonismo mediático já basta aturar o José Sócrates… A situação agravou-se quando – por insistência dos procuradores perante a casmurrice do chefe – a Procuradoria emitiu um parecer que teve o mesmo efeito que gasolina numa fogueira! Aparentemente, alguém quis passar a ideia que é permitida a interferência de um superior hierárquico, numa determinada investigação, sem que haja qualquer indicação ou registo no processo. Tal como acontece no futebol, quando o árbitro começa a influenciar o resultado e ninguém sabe quem deu a indicação. A democracia move-se por terrenos incertos e o marasmo e conformismo que afecta o povo de Portugalinegrado leva-me a crer que, de facto, os cravos vermelhos… estão murchos!</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="030) CRAVOS MURCHOS.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bda181776/21906452_R2mya.jpeg" alt="030) CRAVOS MURCHOS.jpg" width="960" height="639" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:portugalinegrado:763 2020-04-21T15:15:00 EM PRISÃO DOMICILIÁRIA 2020-04-21T14:16:42Z 2020-09-19T13:40:39Z <p>As janelas do prédio contíguo estão apinhadas de gente. A viúva do segundo direito vai pondo a conversa em dia com a velhota do terceiro esquerdo. Como ambas perderam capacidades auditivas, ao longo dos anos, abordam vários temas em regime de gritaria. Mesmo quando, no calor do falatório, resolvem falar do filho do que mora no rés-do-chão ignorando completamente que o mesmo está também à escuta! Na janela do quarto andar uma senhora esforça-se diante do ferro de engomar para conseguir despachar uma pilha de roupa com vincos. No primeiro esquerdo um indivíduo de meia-idade tenta, com tremendas dificuldades, encolher a barriga para conseguir cortar as unhas dos pés. Enquanto isso, impávido e sereno, o antigo pescador, que trocou a linha de mar pelo sexto andar, passa os dias a fumar enviando as cinzas borda fora…</p> <p> </p> <p>Os serviços noticiosos informam constantemente que urge ficar em casa. Por vezes, mostram um ou outro destemido (ou simplesmente estúpido) que comete um acto irreflectido pondo em risco a sua saúde e a dos restantes. O mesmo noticiário informa que as decisões são tomadas pelos membros do Governo. O vírus da China conseguiu encerrar as igrejas e nem mesmo o Santuário de Fátima conseguiu resistir! Lá no Vaticano, na última celebração, o Santo Papa tinha tantos espectadores como eu nas apresentações dos meus livros! O panorama agrava-se com as outras religiões que apostam no contacto presencial aos devotos. Seja para entregar folhetos ilustrados ou falar num dialecto indecifrável. Porque nesta crise pandémica – fruto dos receios exacerbados – as pessoas optam por circular na estrada com medo de cruzar com outros peões. É preferível ser atropelado que morrer infectado! Favorece as estatísticas. Os números da desgraça são generosos com o nosso país. Porém, é necessário prolongar o regime de emergência e continuar a cumprir com as regras impostas pelos senhores polícias. O clima de prisão domiciliária vai continuar e será a principal causa do aumento dos problemas do foro mental. Principalmente para os que partilham a casa com a sogra…</p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 746px; padding: 10px 10px;" title="041) EM PRISÃO DOMICILIÁRIA.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0e17408d/21906451_J4vcv.jpeg" alt="041) EM PRISÃO DOMICILIÁRIA.jpg" width="746" height="499" /></p> <p> </p>