UMA PONTE QUE NOS (DES)UNE
A vida corre devagar e os temas de conversa são invariavelmente os mesmos. Apesar da sabedoria popular, com várias ideias estapafúrdias e soluções imediatas, tudo parece ficar na mesma, sem qualquer mudança. Afinal é preciso esperar duas décadas para ver o Sporting campeão e, no mundo da moda, com tanto costureiro famoso, ocasionalmente aparecem as ceroulas do tempo dos nossos avós! A diferença entre o requinte e a parolice está na etiqueta do estilista. Contudo, continuam a ser ceroulas… A minha escrita faz parte deste ciclo e, sete anos depois, dou por mim a revisitar o tema que originou a primeira crónica humorística que escrevi: a Ponte Móvel de Matosinhos. Construída com os melhores materiais e vanguarda da engenharia, a malfadada estrutura consegue avariar mais vezes que eu a mudar a foto de perfil do Facebook! A explicação, pela entidade responsável, aponta para motivos técnicos e promete uma rigorosa investigação para apuramento das causas. Somando a falta de resposta e sucessivas avarias, será legítimo assumir que ainda investigam…
Nas redes sociais – epicentro de toda a indignação deste mundo – o povo de Matosinhos desespera com a angústia de ver cortado um ponto de ligação entre duas cidades, geridas pela mesma União de Freguesias, que provocará mais caos no trânsito. Um outro tema de embirração é o facto de, quando avaria, os tabuleiros ficarem abertos, ou seja, cortando a circulação automóvel e pedonal, mas permitindo a passagem dos barcos. Isto acontece por motivos de segurança e lógica. Não será fácil arranjar um caminho alternativo para os barcos… É possível encontrar, por entre vários comentários, os que defendem a construção de um túnel, os que querem uma nova ponte e inclusive os fanáticos pelo actual executivo municipal, que fazem questão de salientar o excelente trabalho desenvolvido. Talvez sabendo que, desta vez, a avaria ocorreu antes das eleições, algo inédito na cronologia da ponte… Na minha modesta opinião – e tendo em conta as soluções apresentadas – julgo que o melhor será tentar contactar Moisés. Segundo reza a história, teve um problema idêntico no Mar Vermelho…









